sábado, 10 de novembro de 2012

Bisturis pirofágicos?


Essa é da categoria 'piadas prontas'. Podemos pegar fogo durante qualquer procedimento cirúrgico - literalmente, não se trata de nenhuma metáfora. Acho até que seria útil no caso de uma lipoaspiração (ajudaria a queimar o excesso adiposo rapidamente, já que a gordura é um excelente combustível). 

A matéria é do site Jornal Ciência:

"Recentemente, um júri achou que um cirurgião, realizando uma cesariana numa mulher, não foi responsável pelo fato dela ter pegado fogo durante o procedimento.

Tanto a mãe quanto o bebê estão vivos e sadios, mas o incidente deve ser preocupante para qualquer um que vá ao hospital. Qual a chance de você arder em chamas na mesa de cirurgia?

“Quase todos os incêndios em salas de cirurgia começam no paciente ou até dentro dele”. Assim começa o relatório menos reconfortante do planeta. A maior parte das pessoas que o lerem irá focar na palavra “dentro”. O que poderia ocorrer numa mesa de cirurgia para que as entranhas de alguém peguem fogo?

A pergunta é respondida pelo relatório do Instituto ECRI, uma instituição sem fins lucrativos que tenta trabalhar nas boas práticas da medicina. Esta linha é seguida por uma garantia ainda mais perturbadora: a maior parte dos incêndios “se apaga rapidamente e logo são esquecidos”. Um problema: o ambiente cirúrgico é bastante inflamável.

Gazes, cortinas, o álcool desinfetante, pomadas a base de petróleo, todos podem pegar fogo. O paciente também pode contribuir para as chamas com os pelos ou os gases do aparelho digestivo.

A disponibilidade de óxido nitroso e a necessidade de se usar gás oxigênio em alguns procedimentos dá “força” para que minúsculas chamas cresçam e se alastrem. Qualquer vazamento no suprimento de oxigênio pode fazer com que o gás se acumule, e ele é mais pesado do que o ar.

O relatório do ECRI afirma que ele tende a se acumular nas dobras de cortinas e cavidades do tronco humano. Logo, se o seu corpo estiver aberto, um combustível gasoso e um oxidante estão bem próximos um do outro.

Há também mais fontes de ignição nos hospitais modernos. Fontes antigas incluíam brocas e instrumentos cortantes que geravam muito calor. Lasers e fibras óticas têm sido cada vez mais usados durante cirurgias. Às vezes, eles estão quentes o suficiente para queimar imediatamente, e às vezes, elas necessitam de tempo para realizar o efeito desejado em alguma área do corpo. Até as luzes da sala, se ficarem muito focadas em um ponto particular, podem causar uma faísca que causam um incêndio numa cortina, e que se espalha rapidamente com ajuda do oxigênio.

Entre 550 e 650 incêndios cirúrgicos ocorrem nos EUA todos os anos, de acordo com a Administração de Alimentos e Medicamentos do país norte-americano. Apesar de nenhuma agência declarar ser capaz de eliminar completamente a possibilidade de fogo, elas fazem recomendações de como reduzir os riscos.

Cirurgias próximas ao rosto e o pescoço (devido à barba e outros pelos faciais) e com cavidades abertas no tórax, requerem cuidado extra. Eles também recomendam o uso do mínimo de oxigênio possível, além de se certificar que o álcool não seja derramado na pele ou em cortinas."