quarta-feira, 30 de março de 2011

Perseguição Implacável.

(Não, não se trata do último filme do Vin Diesel. Credo.) 
Encontrei uma botinha semana passada, num brechó - estava procurando umas pra minha irmã e eis que me deparo com uma ankle boot rasteira, coisa comum no exterior mas raro de se ver aqui (piorou em brechó). Era de pelica, bem macia. 25,00 reais, disse a dona do brechó. Achei 'caro' pros meus padrões de 'segunda mão'. Como estava sem dinheiro, indo pra casa, disse que passava 'esses dias' por lá. "Hmm, já tenho tantas botinhas"... Mas como sempre acontece quando vejo algo do tipo 'nunca mais vou achar exatamente assim como quero sem salto impermeável serve pra chuva do meu número com esse preço fica bom com tudo vende essa marca na Pensatto deve ser caro pra dedéu'... 
Voltei lá no outro dia. 
Fechado. 
Tudo bem, venho amanhã. 
Nova tentativa. 
Adivinha: FECHADO. 

'Quem sabe ela não mora nas casas vizinhas'. Uma delas estava em reformas, tinha um pedreiro trabalhando, uma barulheira. "Vou perguntar se ele não conhece a fulana, de repente ela mora aqui." Dei sorte: aparece a mulher do brechó. Não morava lá, mas por coincidência estava fazendo alguma coisa ali (não me interessava o quê, só queria saber da bota). "Ahhh, ontem veio uma cliente, parece que ela deixou um sinal, talvez já tenha levado a bota". Gelei. "Mas passei aqui ontem, tava fechado!" "É que abri depois das 5:30" - isso lá é hora de abrir?? Insisti: "Não tem como ter certeza??" "É que foi minha filha quem atendeu" "Não dá pra você dar uma olhadinha?" "Agora não tem como!" Provavelmente não tinha levado a chave. Mas como ela não sabia que se encasqueto com algo nem vazamento de radiação, terremoto ou tsunami me fazem desistir... "E como eu faço pra saber??". "Me telefona amanhã cedo, se não tiver vendido guardo pra você!" 
Sábado. 
Pedi pra minha mãe ligar bem cedo. Quando acordo: "não consegui, dá uma mensagem dizendo que esse telefone não recebe chamadas no momento." Tentei de novo, e de outros telefones. Nada. "Vai ver a mulher achou que tava pedindo muito pouco na bota e tá querendo desistir de vender", comentou minha mãe (ajudou muito). 
OK, se tinha que perseguir a mulher, ia apelar pra todas as minhas táticas. Pego ela de jeito quando abrir (nem que precise ir lá todo santo dia). 
Passa o fim de semana. 
Segunda. 
Lá vou eu outra vez. 
FECHADO! 
Já tava tendo uma síncope, vontade de chutar a portinha mequeterefe do brechó. OK, calma. Um dia pego essa mulher, ela VAI ter que abrir essa biboca. 
Terça-feira. 
ALELUIA! 
Tô vendo a plaquinha do brechó na calçada! Anda, corre que com a sorte que tô é capaz dela fechar antes de chegar lá. "Não conseguiu ligar?? Jura!? Não é a primeira vez que me acontece isso, essa Tim deve tá com problema!!". OK OK, fico comovida com a história do vidraceiro que também não conseguiu te ligar e você achou que tava mangando com sua cara, mas cadê a BOTA. Aí ela pega numa prateleira e me mostra, "Ó, guardei ela; a outra mulher não ia poder pagar na data que prometeu, então como você se comprometeu a ficar com ela devolvi o sinal". 
E finalmente consegui trazer o raio da 'flat ankle boot' pra casa sã e salva: